Mostrando postagens com marcador Poesia estrangeira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia estrangeira. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de maio de 2009

Acontece

'Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.
Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.
Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.
Que entrevista espaçosa e especial!"

Pablo Neruda

Porque as conversas mudas, as solidões e os silêncios dialogam entre si.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O que torna uma poesia o espírito de seu tempo?

Trago uma poesia de Fernando Pessoa, de 1928, um ano antes da Grande Depressão americana e antes da formação dos estados nacionalistas e ditatoriais por Hitler, Mussolini, Franco, Salazar e... Vargas (citando os mais expressivos...). O texto está em sua forma original.

OS CASTELLOS

A Europa jaz, posta nos cotovellos:
De Oriente a Occidente jaz, fitando,
E toldam-lhe romanticos cabellos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovello esquerdo é recuado;
O direito é em angulo disposto.
Aquelle diz Italia onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta em que se appoia o rosto.

Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Occidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Inventei de substituir Portugal por Brasil nesse último verso. E talvez o caminho da euforia econômica até a incerteza devida à crise que se tem mostrado nos jornais me levaram ao seguinte sentido: o ocidente, finalmente, pode ser visto por terceiro-mundistas - Portugal era o patinho feio da Europa -, exatamente na hora em que jaz.
Reconheço que a minha leitura pode (quiçá deve) estar errada.
Mas são curiosas as semelhanças: o cotovelo "inglês" pode se referir à dependência do poder econômico, político e tecnológico, enquanto o cotovelo "italiano" ao cultural, tradicional e religioso. E a mão, símbolo-mor do poder, é a do cotovelo saxão; pois o outro o cotovelo fica "recuado".
Os olhos filosóficos, tristes lá, cá otimistas, observam silenciosos os seus erros. E vários são os estudiosos cuidam disso.
Será possível trocar o nome de qualquer país por Portugal? Será que a situação da modernidade consegue fazer valer essa poesia em qualquer situação? O que torna uma poesia o espírito de seu tempo?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Brecht e a guerra

"Não conseguireis desgostar-me da guerra. Diz-se que ela destrói os fracos, mas a paz faz o mesmo." Bertolt Brecht


Brecht foi um dramaturgo, poeta e ator alemão que se "converteu" ao marxismo. Ele trouxe para as peças de teatro discussões sobre as complicadas relações humanas no sistema capitalista e com versão dramatizada. na perspectiva marxista.

"Para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram."
"Primeiro vem o estômago, depois a moral."
"O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso."

Estes são alguns do pensamentos de Brecht.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ainda sobre "Poder"

"Os detentores do poder ficam tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infiabilidade que se esforçam ao máximo para ignorar a verdade".
Este aforismo é do poeta e romacista russo Boris Pasternak. O autor, mais do que ninguém, sentiu a interferência direta do poder na literatura. Principalmente, quando foi impedido no ano de 1958 de receber o Prêmio Nobel de Literatura, por motivos políticos. Além disto, foi acusado pelo governo russo de subjetivismo.
A obra mais conhecida de Pasternak é Doctor Zhivago (no português, Doutor Jivago), que não pôde ser publicada na antiga União Soviética. Porém, o original foi contrabandeado e editado na Itália, tornando-se um best seller que rendeu o autor um dos maiores prêmios da literatura mundial.
Mesmo quem nunca ouviu falar em Boris Pasternak, já conhecia o Doutor Jivago pela adaptação feita para o cinema em 1965.

Boris morreu na década de 60 ser ver sua obra-prima entrar para a sétima.